• Dina Fonseca

QUANTO TE PERMITES EXPRESSAR AQUILO QUE SENTES?

Os últimos dias têm trazido novas tomadas de consciência. Adoro quando assim é.

Compreender, sentir para além do véu.


A semana passada guiei uma mulher num processo sensível e dei-me conta de que a determinado momento quando ela entrou num choro descontrolado, acolhi-a no meu colo e de forma automática sussurrei “Shh shhhh”. Tal como fazemos com os bebés quando eles choram.

Nesse momento senti que havia ali alguma mensagem mas concentrei-me no processo e não pensei mais no assunto.


Hoje vivi uma experiência que me trouxe muita clareza quanto ao desconforto que ainda existe quando uma pessoa se expressa livremente. Quando de repente acontece um choro, um grito, uma manifestação mais espontânea. A pessoa que está do outro lado fica sem saber o que fazer ou dizer e há uma certa pressa em querer encontrar uma resposta para aquela manifestação, de forma a que fique justificável e se encerre logo o assunto.


Se observarmos o mecanismo inconsciente de dizer repetidas vezes “Shhhh shhh”, para o bebé se acalmar, vamos perceber que fazê-lo é uma forma “simpática” de dizer: “Cala-te! Por favor não chores mais. Estás me a incomodar. Não sei o que fazer com aquilo que estás a sentir”.

Subtil e tão profundo, não é?



Torna-se um pouco mais evidente e ainda assim não é perceptível a todos de que quando dizemos: “Não chores ou já passou”, a uma criança ou a um adulto estamos uma vez mais a dizer: “Por favor, para com isso. Não sei como lidar com o que estás a sentir”. E isto a meu ver, é fatal, para todos.


Entramos na vida a sentir na pele e nas células que expressar aquilo que sentimos não é bom, não é bem-vindo, que incomoda. E isto claramente faz-nos acreditar que não há espaço para nos exprimirmos livremente, que é errado sentir aquilo que sentimos. Quando na verdade é o sentir que nos leva para dentro e nos guia na experiência de recordar quem somos e do que estamos aqui a fazer. Vital para uma vida plena e feliz.

Na minha experiência pessoal, até agora só em ambiente terapêutico ou junto do meu círculo sagrado de pessoas é que escuto: “Chora, chora à vontade. Chorar faz bem à Alma”.

E faz mesmo. Chorar purifica, abre espaço, retire a densidade do corpo. Rir à gargalhada igual. Dar socos nas almofadas, gritar, dizer palavrões – EXPRESSAR!

Expressar sem sentir que é demasiado, que incomoda, que é errado e que ocupa espaço.


Por uma Humanidade curada, precisamos de uma vez por todas honrar e expressar cada emoção e sentimento. Dar lugar ao que é, sem julgar ou condicionar. E isso tem de começar a ser feito a partir do momento em que um novo Ser chega ao mundo.


Chega de sermos só seres pensantes, que resolvem ou pensam que resolvem através do intelecto. Errado é não sentir, não expressar, calar, meter debaixo do tapete.


Como é que te sentes com aquilo que sentes? Gostava de te ouvir.


Recebe um enorme abraço.

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